Até namoros iniciavam e se fortaleciam, com o uso dos orelhões, instalados em várias cidades do Brasil.
Nos primeiros anos do rádio em Juara, os telefones públicos também tiveram papel importante na comunicação comunitária.
Agora, com a retirada definitiva dos últimos aparelhos pela Anatel, os orelhões se despedem das ruas e permanecem apenas na memória de quem viveu uma época em que uma ligação dependia de fichas, cartões e muita paciência — mas também de encontros, histórias e saudade.
Era por meio deles que ouvintes enviavam mensagens, pediam músicas, faziam avisos e interagiam com as emissoras locais, como o caso da Dona Rita Andrade da Silva, ex-moradora da comunidade de Catuaí.
“O orelhão foi muito importante para todos, naquela época era para todo mundo. Era o que socorria a gente, numa hora de precisão, para ligar para alguma coisa, ligar para os familiares, que nem eu saía para Cuiabá, com meu esposo Máximo para tratamento de saúde dele. Era com o que eu me valia para ligar para as meninas. Depois ali na Catuaí, era para ligar para pedir música na rádio, para tudo na vida, era aquele orelhão ali. A gente não saía de lá. Então, uma coisa que vai acabar, mas para mim valeu muito. Valeu a pena os orelhões que funcionavam. Porque se não fossem eles, a gente não tinha notícia das coisas”. Disse a senhora.
: Aparicio Cardozo - Show de Notícias
Publicado em 29 de Janeiro de 2026 , 16h39 - Atualizado as 05h22