A Câmara de Juara retirou das redes sociais fotos e vídeos de alunos da rede municipal de ensino após uma recomendação da Defensoria Pública de Mato Grosso (DPE). As imagens teriam sido feitas durante visitas de vereadores às escolas, sem autorização dos pais ou responsáveis.
O caso chegou à Defensoria após a instituição identificar que vereadores estavam entrando em salas de aula durante ações de fiscalização da estrutura das unidades, inclusive sem agendamento prévio com a direção e em momentos de avaliações e outras atividades pedagógicas.
Durante as visitas, os parlamentares fotografaram e gravaram estudantes e, posteriormente, publicaram o material nas redes sociais para divulgação das atividades do Legislativo. Segundo a Defensoria, as publicações expunham os rostos das crianças e adolescentes, sem qualquer recurso para preservar a identidade dos menores.
Diante da situação, o defensor público Vitor Lima Nava Martins encaminhou, em 11 de setembro, uma recomendação extrajudicial à presidência da Câmara. O objetivo foi resolver o caso sem a necessidade de levar a discussão à Justiça.
A Defensoria apontou que a exposição não autorizada das crianças poderia violar direitos previstos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Entre as medidas recomendadas estavam o agendamento prévio das visitas às escolas, a proibição de fotografar ou filmar alunos sem autorização específica dos responsáveis e a retirada, em até cinco dias úteis, das imagens já publicadas.
A orientação também foi para que as imagens não fossem utilizadas para promoção política. Em eventual publicação futura em que a presença de estudantes fosse inevitável, a Defensoria recomendou o uso de recursos como borrão ou pixelização dos rostos.
Câmara confirma retirada das publicações
Em resposta enviada à Defensoria no dia 18 de setembro, a presidente da Câmara de Juara, Patrícia Alves Vivian da Guia, confirmou que determinou a retirada das publicações das redes sociais.
Segundo a presidente, as medidas foram adotadas para preservar a privacidade dos estudantes. As orientações também foram repassadas formalmente aos demais vereadores por meio de comunicação interna.
A partir de agora, a orientação é que as fiscalizações em escolas priorizem registros da estrutura física, equipamentos e demais itens relacionados à fiscalização, evitando a identificação de crianças e adolescentes.
Para o defensor público, a atuação também contribuiu para evitar possíveis abusos durante o período eleitoral.
“A atuação foi de suma importância, tanto para a garantia dos direitos das crianças e adolescentes, em especial a educação, intimidade e privacidade, bem como garantir a lisura do período eleitoral, para que não ocorram abusos e violação à isonomia entre os candidatos, privilegiando um procedimento democrático e ético”, afirmou Vitor Lima.
Olhar Direto
Publicado em 28 de Setembro de 2026 , 15h33 - Atualizado 28 de Setembro de 2026 as 15h44