Sorriso registrou 64 notificações de trabalho infantil entre setembro de 2025 e julho de 2026, segundo um levantamento elaborado pela equipe das Ações Estratégicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (AEPETI).
Os dados foram apresentados na 4ª Mostra Psicologia no SUAS – Centro-Oeste, realizada nos dias 11 e 12 de setembro, em Brasília. O estudo analisou o perfil das crianças e adolescentes, as condições das famílias e as regiões da cidade onde os casos foram identificados.
Do total de notificações, 59,4% envolviam adolescentes de 13 a 15 anos, faixa etária com maior número de registros. Outros 35,9% tinham entre 16 e 17 anos e 4,7%, entre 10 e 12 anos.
Os meninos representam 56,3% dos casos, com 36 registros, enquanto as meninas correspondem a 43,7%, com 28 notificações. Em relação à raça ou cor, 85,9% dos casos registrados envolviam pessoas pardas.
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Maioria das famílias está em situação de baixa renda
O diagnóstico também analisou as condições socioeconômicas das famílias acompanhadas. Segundo o levantamento, 87,5% estavam em situação de pobreza ou baixa renda.
Além disso, 39,1% recebiam Bolsa Família e, em 51,6% dos casos, a mãe era a única responsável familiar.
Os dados apontam ainda uma concentração territorial das notificações. Os CRAS Vitória Régia e Praça CEU reúnem, juntos, 68,8% dos registros analisados.
O território atendido pelo CRAS Vitória Régia teve 24 notificações, equivalente a 37,5% do total. A região da Praça CEU aparece em seguida, com 20 casos, ou 31,3%.
O CRAS São José contabilizou 11 registros; São Domingos, seis; e as áreas rurais, três.
Encaminhamentos
Após a identificação das situações, 82,8% das notificações foram encaminhadas aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). Em 45,3% dos casos, houve encaminhamento ao Conselho Tutelar.
O levantamento foi apresentado pela psicóloga Claudinéia Facioni Bonacina e elaborado em parceria com Fabiana de Quadros Giovanardi, coordenadora do PETI, e Cladis Petrik, da Vigilância Socioassistencial.
Segundo o estudo, o objetivo é utilizar os dados para identificar áreas de maior ocorrência e auxiliar no planejamento de ações de prevenção e enfrentamento ao trabalho infantil em Sorriso.
Da Redação Nortão MT – Micheli Cristina