A expansão do javali como espécie invasora levou governos da Europa, Oceania e América do Norte a adotar, entre 2000 e 2025, um conjunto de estratégias técnicas que incluem vigilância sanitária, armadilhas em larga escala, iscas reguladas, rastreamento por GPS e até cercas físicas para reduzir impactos ambientais, agrícolas e riscos à suinocultura
Governos da Europa, Oceania e América do Norte adotaram, entre 2000 e 2025, vários métodos para conter o javali invasor.
Esses métodos combinam programas nacionais, vigilância sanitária, armadilhas em larga escala, rastreamento por GPS, iscas tóxicas reguladas e barreiras físicas, com impactos diretos sobre agricultura, biodiversidade e saúde animal.
Programas nacionais integrados transformam o javali em tema de política pública permanente
Nos Estados Unidos, o javali deixou de ser tratado apenas como praga local e passou a integrar um programa federal estruturado. O National Feral Swine Damage Management Program, coordenado pelo USDA APHIS, opera de forma contínua desde a década de 2000.
O programa articula ações de campo, monitoramento populacional, vigilância sanitária, pesquisa aplicada, avaliação de resultados e coordenação com estados e produtores rurais.
O objetivo oficial é reduzir danos econômicos, ambientais e sanitários causados pelo javali.
Documentos do USDA indicam que a abordagem integrada surgiu após a constatação de que ações isoladas, como caça recreativa sem planejamento, não conseguiam reduzir populações de forma sustentada ao longo dos anos.
Relatórios oficiais apontam que o javali causa prejuízos diretos à agricultura, contamina áreas de preservação e representa risco de disseminação de doenças que afetam a suinocultura comercial, setor estratégico para exportações norte-americanas.
A lógica adotada pelo governo federal é tratar o controle como política pública permanente, com orçamento, metas regionais, indicadores de desempenho e revisão periódica das estratégias empregadas em cada território.
Esse modelo também aparece em iniciativas nacionais na Austrália e na Nova Zelândia, onde planos plurianuais definem áreas prioritárias, métodos permitidos e cronogramas de execução, em vez de respostas pontuais a surtos locais.
Vigilância sanitária e controle de doenças orientam o manejo do javali na Europa.
Na União Europeia, o avanço da peste suína africana alterou profundamente o manejo do javali. A espécie passou a ser considerada vetor epidemiológico relevante, exigindo respostas coordenadas entre meio ambiente, agricultura e saúde animal.
Diretrizes técnicas da Comissão Europeia estabelecem vigilância ativa em populações de javalis, com testagem sistemática de carcaças encontradas, monitoramento de animais doentes e protocolos padronizados de coleta e descarte.
Os documentos recomendam que equipes treinadas realizem buscas regulares por carcaças em áreas afetadas, reduzindo o tempo de permanência de material contaminado no ambiente e diminuindo a probabilidade de transmissão viral.
Organismos internacionais de saúde animal reforçam que práticas inadequadas durante a caça ou remoção, como transporte sem higienização ou descarte incorreto de restos, podem acelerar a disseminação da doença entre regiões.
Por isso, o controle populacional na Europa é frequentemente acompanhado de regras rígidas de biosegurança, incluindo limpeza de equipamentos, restrições de circulação e registros detalhados das operações realizadas.
Redação - Fabio Lucas Carvalho - https://clickpetr
Publicado em 27 de Janeiro de 2026 , 07h28 - Atualizado as 07h36